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20 de janeiro de 2014

Descartável

Sem tempo para pensar,
Para ler, conhecer, absorver, analisar,
Qualquer edição, propaganda, opinião,
Parece inquestionável,

Sem tempo para sentir,
Para ver, ouvir, tocar, amar,
Todo sentimento se torna vulnerável,

Sem tempo para criar,
Para inspirar, imaginar, escrever, harmonizar,
Qualquer ideia, poesia, refrão,
Já nasce ultrapassado,

Sem tempo para perder,
Para cair, sofrer, aprender e levantar,
Toda derrota parece um calvário,

Sem tempo para ser,
Condiciona-se a ter

Sem ter tempo,
Para em essência viver,

Existir é descartável.
20/08/2013

28 de dezembro de 2013

Metamorfose

Na penumbra do casulo
De um inseto qualquer,
Desenvolve-se a metamorfose,
No tempo ou no contratempo

Que a natureza vier,

Renasce o dia,

A seda rompe as suaves fibras,
A luz penetra a "retina"
Em mosaico modernista,

Desbota a velha forma,
Rompe com a lógica,

E a vida,
Que parecia tranquila
No espaço em que lhe cabia,
Não existe mais.


5 de novembro de 2013

Denso Penar

Essa ausência que me invade
Em brisa silenciosa

Serena se espalha
No descompasso das tensas horas

Pela vida que se empalha,
Antes do fim das tristes notas

Com o denso penar
Entre os labirintos secretos

Desta alma amorfa.

4 de outubro de 2013

A catarse do novo mundo

Sob o asfalto que viabiliza o trajeto,

Sufocamos as sementes,

Sob a calçada de concreto,
As raízes se espremem,

Sob o cárcere do latifúndio,

Desigualdades, sem terras,
Fome e miséria,

Sob o céu de manto cinza

Gira a terra em disritmia
Castigada por tantas guerras,

Sob as pedras do caminho,

As frestas do destino,
Que nos prendem ou nos libertam,

Entre sonhos                                                            e                                                                      utopias,
(As janelas do futuro)
                            A revolução - Catarse do novo mundo
Sobre a sola do pé,




16 de julho de 2013

Esquizofrenia capitalista

Eu é um outro (Rimbaud)

Das migalhas invisíveis
Mastigadas pela rotina
Vislumbra-se um universo
Num vazio paralelo à completude programada

De um suposto imaginário
Tangível e abstrato
Desprende-se a razão
Com a lógica assimétrica


De que um, são outros.

6 de junho de 2013

Caminhos tortuosos


Ainda que perdido, sigo meu caminho,
Com tamanho desassossego,
Me mantenho produtivo,
No mercado de trabalho,
Tudo é mensurável,

E a vida, tem fins lucrativos,

O suor da exploração transborda no caldeirão,
Se transforma em combustível,
Acelera a produção,
Gera riqueza para poucos, migalhas para a multidão,

Água suja ou vinho tinto,
Qual será o seu quinhão?

Somente as sobras das uvas pisoteadas com nosso sangue latino
Alimentam as vielas e endereços clandestinos,
Água doce é artigo de luxo,
Já disse o empresário, tem que seguir as leis de mercado,
Se tem sede, tem inflação,

Alheio a essa questão, o gado morre de sede,
A fome brota na terra e nem é exclusividade do sertão,

Na mansão a água escorre pelo espelho,
Escoa pelo ralo e reflete a imagem da contradição,

Por estes tortuosos caminhos,
Sigo perdido, por pura convicção.

5 de maio de 2013

Entre muros

Entre muros,
Os anseios se confundem
Se conformam, se abreviam,
Se desbotam, se mutilam,

Entre muros os anseios se dissipam,

Sacia-se a sede
Antes mesmo de senti-la,
Dá-se por satisfeito,
Antes de qualquer anseio.

2 de dezembro de 2012

Emyaj


Destoa da frágil proa deste barco de papel,
Um pequeno sonho, que me faz navegar num sentido oposto,
Mas não menos disposto,
A desbravar velhos mares,
Me aprofundar em pequenos riachos,
Para redescobrir a essência dos afluentes e da nascente.

Carrego mercadorias complexas,
Que de seu conteúdo pouco se pode aproveitar,
Por elas, também, já me deixei carregar,

Por vezes encalho, quebro, despedaço,
Mas o tempo, naturalmente, encarrega-se de cicatrizar,
O horizonte não muda, mas a bússola, aos poucos volta a direcionar,

Aberto a novas rotas,
Como qualquer embarcação, preparado para águas claras e tranquilas,
Porém, são as águas turvas de tempestades abruptas,
Que me fazem plenamente navegar.

23 de julho de 2012

Regressão

Nascemos puros e inteligentes
Necessitamos apenas, de leite e afeto
Rimos de qualquer coisa
As cores, os sons, os sabores
Tudo parece novo

A vida não tem dissabores

Ao passo que crescemos
As necessidades aumentam
Aprendemos a caminhar, correr,
Falar, pedir, reclamar...
O essencial já não satisfaz
Somos convencidos a ter mais

O mercado determina o que estudamos
Nos desenvolvemos de forma dependente
Nos julgamos autossuficientes
E aos poucos, nos curvamos

A sensibilidade e a criatividade ficaram para trás
A liberdade, aos poucos se esvai


Nos tornamos escravos da ganância
Trabalhamos de sol a sol
Como se pudéssemos comprar
O tempo, as estrelas e a lua

Nos esquecemos de abrir
Os olhos e as janelas
E enxergar a vida na rua.